O otimista considera que o fracasso se deve a algo que ele mesmo pode mudar. Já o pessimista não olha para si próprio e para suas deficiências, atribuindo seus fracassos apenas a fatores externos a ele, a obstáculos aos quais ele é incapaz de modificar. Daí, para um processo de vitimização, é um pulo.
Ante um insucesso no trabalho, ou até mesmo quando se vê sem trabalho, o otimista reage de forma pró-ativa, esperançosa. Ele procura ajuda, ouve conselhos e concentra-se na remoção das dificuldades. Já o pessimista considera a situação irremediável. Sua única reação é pensar que nada do que fizer poderá mudar a situação. Para ele, a adversidade sempre se deve a alguma deficiência pessoal insuperável ou a uma conspiração que o mundo tramou contra ele.
Em tempos pós-olímpicos, em que se discute o preparo psicológico dos nossos atletas, vale lembrar a história de um nadador que hoje, na era Phelps, tornou-se para nós um quase anônimo. Matt Biondi, uma das estrelas da delegação americana nas Olimpíadas de 1988, chegou aos jogos com a esperança de igualar a proeza do então imbatível Mark Spitz, que em 1972, ganhara sete medalhas de ouro. Nas duas primeiras provas, Biondi ficou em terceiro e segundo lugar, para deleite de alguns comentaristas, que apostaram que a partir sua motivação iria por água abaixo e ele passaria a ter uma atuação ainda mais desastrosa.
A reação de Biondi, contrariando expectativas, não foi de desânimo. Foi de superação. Nas cinco provas restantes ele garantiu a medalha de ouro, com atuações avassaladoras. Quando o caldo parecia entornar e a frustração ameaçava tomar conta do ambiente, Biondi optou por concentrar-se totalmente no seu foco e ir em frente, consagrando-se como o maior medalhista dos Jogos de Seul. Se tivesse amarelado diante da situação, seu nome simplesmente seria apagado da história das Olimpíadas, como tantos outros.

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